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terça-feira, novembro 23, 2010

Café Concerto da Rádio Comercial recordado na Antena 1

No passado sábado, dia 20 de Novembro de 2010, O programa da Antena 1, NO AR POR TODA A PARTE, da autoria de Jaime Fernandes, recordou o Café Concerto, da antiga Rádio Comercial, convindando dois dos elementos da equipa.

Cláudia Almeida conduziu a conversa com Maria José Mauperrin e Aníbal Cabrita, as duas principais vozes do Café.


domingo, novembro 21, 2010

Lado b

Lado b um podcast de Pedro Esteves. Também transmitido em algumas rádios.

O autor explica neste vídeo a  história e o processo de elaboração do programa.

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quinta-feira, novembro 11, 2010

a História do Conselho da Revolução

O Contraponto era um programa de rádio da Antena 1, transmitido de 1976 a 1978, de segunda a sábado entre as 21h e as 24h. Tinha realização de José Manuel Nunes que chefiava uma equipa constituida por Ana Maria, Manuela Gomes, Teresa Silva, João Coelho, Cipriano Correia, João Manuel Alves, Mário Figueiredo (substituído em 1977 por Aníbal Cabrita) e Carlos Carvalho (também saíu em 1977).

A apresentação na que na 1ª fase era de Mário Figueiredo, passou em 1977 a ser de Aníbal Cabrita e João Manuel Alves.

Em maio de 1977 foi apresentada um série de programas sobre os órgãos de soberania.
Um deles focou a história do Conselho da Revolução. É esse , descoberto numa velha cassete, que pode ouvir aqui.


segunda-feira, novembro 08, 2010

Manuel Cintra Ferreira - respirava cimema por todos os poros

Manuel Cintra Ferreira, o mais antigo programador da Cinemateca Portuguesa, morreu domingo, 7 de Novembro, aos 68 anos, em Lisboa. Nascido em Lagos em 1942, era um dos mais consagrados críticos de cinema em Portugal.

Para além da Cinemateca Portuguesa, Manuel Cintra Ferreira, integrava o grupo de críticos do semanário “Expresso”, para onde tinha regressado depois de ter feito parte da equipa que lançou o jornal PÚBLICO, em 1990. Além disso, colaborou com Manuel Fonseca na programação de cinema da SIC.
Durante muitos anos, também, trabalhou na rádio. Começou, ainda, nos tempos da Emissora Nacional e fez parte dos quadros da Antena1 e da Rádio Comercial.

Manuel Cintra Ferreira, bom apreciador de petiscos, era um cinéfilo com uma memória excepcional e sua limitação auditiva, não o impedia de “saborear” uma boa banda sonora.
Consideravam-no uma “enciclopédia viva do cinema”. John Ford era a sua grande referência e o filme “A Desaparecida (The Searchers)” o seu preferido, como fica patente nas palavras, do seu amigo e também crítico de cinema Jorge Leitão Ramos, recolhidas pela jornalista Cláudia Arsénio da TSF.





Foi um dos elementos da equipa do Café Concerto (FM da Comercial) e um dos autores do programa Genérico (onda média da Rádio Comercial).
Recorda-se aqui uma das emissões do Genérico, de 8 de Fevereiro, de 1986. Programa dedicado ao cinema, que era emitido aos sábados entre as 20h e 20h30m.



Para saber um pouco mais sobre a personalidade de Manuel Cintra Ferreira aqui fica este "link".

sábado, novembro 06, 2010

Alberto Pimenta no Café Concerto

Alberto Pimenta, nos primeiros meses de 1980 - suponho que tenha sido em Fevereiro - foi convidado do programa Café Concerto, da Rádio Comercial, para contar a sua experiencia de 1977, no Jardim Zoológico, quando esteve numa jaula, em exposição, durante algumas horas.
No referido Jardim conversou em 1980, com Aníbal Cabrita e Jorge Falorca, sobre  esse acontecimento e  outros.  A conversa foi apresentada entre as 23h e as 24h numa das primeiras emissões do Café Concerto, programa que tinha começado a ser emitido em 4 de Fevereiro de 1980.

Aqui fica a última hora desse programa, numa gravação, já com 30 anos, que descobri numa velha cassete.
O som não será o melhor mas...






Da wikipédia:

"Alberto Pimenta (Porto, 26 de Dezembro de 1937) é um escritor, poeta e ensaísta português.


Destaca-se entre os autores europeus contemporâneos pelo carácter crítico e irreverente da sua obra, bem como pela diversidade dos géneros abordados: poesia, ficção, teatro, linguística, crítica, e até mesmo happenings e performances.

Pimenta foi Leitor de Português em Heidelberg, contratado pelo governo português a partir de 1960. Devido à sua oposição ao regime fascista português e à política colonialista em África, foi demitido em 1963. Porém, não voltou ao seu país nesse momento, pois foi contratado pela Universidade de Heidelberg. Aí permaneceu até voltar a Portugal em 1977, poucos anos depois da Revolução dos Cravos.

Em 1977, publicou o livro de poesia Ascensão de dez gostos à boca, que sintetiza a combinação, típica desse autor, da experimentação formal com o inconformismo social e político. Nesse mesmo ano, realizou um histórico happening no Jardim Zoológico de Lisboa: trancou-se numa jaula (que ficava ao lado de uma outra onde estavam dois macacos) com uma tabuleta indicando "Homo sapiens". O acontecimento foi registrado no livro homónimo. Também em 1977, lançou o seu livro mais traduzido, "Discurso sobre o filho-da-puta", obra inclassificável que se avizinha do ensaio.

Entre as suas obras teóricas, destacam-se O silêncio dos poetas (1978), lançado originalmente na Itália, e A magia que tira os pecados do mundo (1995). O primeiro livro corresponde a um estudo sobre a poesia concreta (ou concretismo) e visual, principalmente a brasileira e a de língua alemã. O segundo, a uma obra de base teórica anti-platónica dividida em vinte e duas partes, cada uma delas correspondendo a um dos arcanos maiores do tarot. Mitos, arquétipos, literatura, (Dante, Camões, Shakespeare, Fernando Pessoa, António Boto, Emilio Villa, Murilo Mendes, Haroldo de Campos) e artistas plásticos (Oskar Kokoschka, Yves Klein, Pablo Picasso) estão entre os objetos desse livro invulgar.

A partir da década de noventa, a sua obra passou a referir-se mais directamente aos fenómenos ligados à globalização. Ainda há muito para fazer (1998), por exemplo, é um poema longo que parodia os discursos publicitários e da internet, e trata dos efeitos sociais da Guerra de Kosovo e da União Europeia.

Em 2005, lançou Marthiya de Abdel Hamid segundo Alberto Pimenta, livro de poemas a respeito da invasão do Iraque pelos Estados Unidos da América.

O caráter insurrecto e experimental da sua obra ainda tornam Alberto Pimenta um autor controverso no meio académico português. Actualmente é professor convidado na Universidade Nova de Lisboa.

Nos últimos anos os seus livros têm sido publicados quase todos pela &etc, de Vitor Silva Tavares, com quem tem uma grande amizade."

domingo, outubro 24, 2010

Heterofonias XFM

Heterofonias era um programa de Aníbal Cabrita, transmitido na XFM aos domingos, entre as 19 e as 20 horas.

Nesta emissão de 13 de Julho de 1997, desfilaram nomes como Urban Sax, Meira Asher, Rabi Abu Kalil, Ensemble Weshm, Mahamud Fadl, Abdel Aziz El Mubarak, Klesmatics,Istambul Oriental Ensemble liderado por Buran Öçal, Okay Temiz e Aka Gündüz com o Oriental Wind ...



sexta-feira, outubro 22, 2010

Hora de Ponta (1978)

Hora de Ponta era um programa do antigo programa 4 da RDP, canal que em 1979 se passou a denominar Rádio Comercial FM.

Hora de Ponta tinha realização de Jorge Lopes. O programa era transmitido, diariamente, entre as 18 e as 19 horas.

Durante alguns meses de 1978, Jorge Lopes convidou alguns profissionais a ocuparem a emissão de sexta-feira, com programas de perfil experimental.

Aceitaram o convite, entre outros, nomes como Humberto Boto, Jorge Falorca, Aníbal Cabrita,Vítor Pombal e Paulo Fernando.

Aqui se disponibiliza um desses programas. A realização e apresentação é de Aníbal Cabrita . Nessa emissão teve como convidados Jorge Falorca e o cantor Vitorino.




quarta-feira, outubro 20, 2010

NO AR POR TODA A PARTE (Adelino Gomes)

Programa da Antena1. Nesta edição de 14 de Agosto de 2010 o convidado foi o jornalista Adelino Gomes.


O programa tem autoria e apresentação de Jaime Fernandes.
A entrevista a Adelino Gomes foi conduzida por Cláudia Almeida.






No ar por toda a parte, a história da rádio portuguesa faz-se na Antena 1, aos sábados, às 9h00 (com repetição no Domingo às 02h07). Produção: Cláudia Almeida Com: Cristina Condinho, David Dias, Nunes Forte e Ana Paula Ferreira.

Também pode consultar aqui a página da Antena1 com o programa NO AR POR TODA A PARTE

sábado, setembro 25, 2010

Noites de Luar

Fragmento da última emissão do programa Noites de Luar, na Antena 1, em 30 de Dezembro de 1985.


Neste fragmento ouve-se uma síntese do que foi o programa e o nome dos habituais colaboradores.


Noites de Luar iniciou-se, na Antena 1, em 2 de Abril de 1984 .

Era emitido, de sequnda a quinta-feira, entre as 21h30 e as 23h30.


Café Virtual

O Café Virtual era um programa da XFM, emitido de segunda a sexta-feira, entre as 22 e as 24 horas.


Tinha realização e apresentação de Aníbal Cabrita.



Aqui fica a 2ª hora da emissão de 5 de Abril de 1996


terça-feira, dezembro 08, 2009

terça-feira, novembro 03, 2009

António Sérgio



António Sérgio, a grande figura de referência dos programas musicais da rádio desde os anos 70 até 2009, morreu vítima de problemas cardíacos na madrugada de 31 de Outubro para 1 de Novembro de 2009. Tinha 59 anos.

Uma vida dedicada à Rádio e à divulgação de música. António Sérgio iniciou a sua carreira, na RENASCENÇA, no final dos anos 60. Nos anos 80 esteve na COMERCIAL. Depois, de 1993 até 1997 foi um dos nomes da XFM. Voltou ao grupo COMERCIAL (Comercial e Best Rock FM) onde se manteve até 2007. Mudou-se para a RADAR onde terminou a sua carreira.

Rotação, Rolls Rock, Som da Frente, Lança-Chamas, Grande Delta , a Hora do Lobo e Viriato 25 foram alguns dos programas que realizou e apresentou.

Com o seu trabalho, muita pesquisa e paixão, ajudou várias gerações a descobrir os novos sons da pop e do rock. Companheiros de ofício chamavam-lhe "mestre". E era comparado frequentemente com o lendário radialista britânico John Peel.
Morreu o Homem que conseguiu resistir, mais tempo, com os seus "programas de autor", à formatação radiofónica da ditadura das playlists.

Aqui ficam algumas das suas ideias sobre rádio e música, numa entrevista de 8 de Junho de 2000 no Programa RPL de Lux, da Rádio Paris Lisboa (actualmente Rádio Europa),conduzida por Paulo Lázaro.

sábado, março 08, 2008

Utopia - Leonel Moura


 É um artista plástico que tem desenvolvido nos últimos anos uma série de projectos que fundem arte, tecnologia e ciência, da qual se destacam os “Robots Pintores”.
 É autor de vários livros e de inúmeras exposições e conferências em muitos países.

 Em 1995 na Bienal de Cascais, juntou em Portugal cientistas como Renè Thom ou Humberto Maturama e historiadores de arte como Harald Szeeman ou Benjamim Buchloh, entre outras personalidades relevantes, num debate em torno do conceito de utopia.



Nessa bienal foi também apresentada a Internet, num momento em que este meio de circulação de informação era ainda pouco conhecido por cá.
Pouco antes dessa Bienal sobre a utopia concedeu uma entrevista ao Café Virtual da XFM.
São alguns extractos dessa conversa de 1995 que pode ouvir aqui


sexta-feira, março 07, 2008

Eu Acuso


É uma proposta de reflexão sobre os grandes Media nestes tempos de globalização.
Uma carta aberta, dirigida por Manuel Vazquez Montalbán a Bill Clinton, publicada no Le Nouvel Observateur (Janeiro de 1998) e também no El País (30-03-1998) . Lida, posteriormente, em Lisboa, pelo escritor, na Fundação Gulbenkian.

"Senhor presidente, quando se assume a ética e a estética da democracia, o Estado, quer dizer, o Grande Inquisidor, tem que ser avaliado democraticamente. Na aldeia global, o Grande Inquisidor garante a ordem nacional, meteorológica, internacional, europeia, social, interpessoal, sexual, gastronómica, ecológica sempre a partir do consenso, por mínimo que seja e, na sua imperfeição, com a ajuda dos Boinas Azuis. Todo procedimento é bom para a imposição do referente privilegiado e de uma ordem que o senhor nos vende como indispensável para nossa sobrevivência e necessidades.
O instrumento fundamental para a imposição consensual do Grande Inquisidor leva-o ao Grande Irmão desenhado por Orwell e, perdoe, senhor presidente, que eu recorra a imaginários literários sabendo que ao senhor só interessa o footing e essa insuportável dança chamada Macarena. Por isso, se o senhor não sabe, o Grande Irmão é o poder comunicacional que através da concentração e uniformidade está em condições de impor o consenso impedindo a existência de mensagens alternativas. Actualmente, toda mensagem alternativa parece desestabilizadora, culpada, grosseira a partir da perspectiva do mercado totalitário onde os mais variados suportes estão ocupados com o mesmo conteúdo. Abramos o que abramos sempre aparece um comunicador da CNN ou seu clone, produzidos pela engenharia genética do politicamente correcto. A CNN representa o espírito e a intenção do Grande Irmão que Orwell imaginou em condições antidemocráticas, porém plenamente desenvolvido no monopólio democrático que o senhor dirige como o Grande Inquisidor do Império do Bem. À direita do trono, a CNN com sua informação pasteurizada, oferecendo uma decoração potemkiniana do mundo, essa fachada global de Grande Hotel de cinco estrelas que esconde os novos condenados da Terra, para tranquilidade do cliente do hotel, o Grande Consumidor.
Eu acuso a CNN de ser o aferidor da verdade única do Grande Inquisidor. Eu a acuso de ser o Grande Irmão que viria do Este que, porém, chegou do Oeste a serviço do referente de um improvável sujeito histórico de mudança global: o Grande Consumidor, o terceiro membro da Santíssima Trindade, possivelmente o Espírito Santo de todos os Grandes Armazéns deste mundo. A CNN apoia-se num código linguístico de hotel cinco estrelas, sem cafeína, sem álcool, sem fumadores, com preservativo na língua, com um sistema único de sinais…"


Pode ouvir aqui.


quinta-feira, março 06, 2008

La toilette des étoilles Belle Chase Hotel

“O projecto nasceu no fim de 1995. O nome foi extraído de uma passagem trágica do filme "Down by Law" de Jim Jarmush, por sugestão de Antoine Pimentel. O grupo de Coimbra era formado por Antoine Pimentel (Bateria), Filipa (Violino), João Baptista (Baixo), JP Simões (Voz), Luis Pedro (Piano, Bandolim, Acordeon), Marco (Saxofone), Pedro Renato (Guitarras), Raquel Ralha (Voz) e Sérgio Costa (Guitarra e Flauta Transversal) Começaram por conquistar a opinião da crítica com o seu espectáculo no Festival de Paredes de Coura e depois assinaram uma série de preenchidos concertos antes dos trabalhos de finalização do seu primeiro disco que esteve para ser lançado pela Lux Records. "Fossanova" foi editado pela Nortesul. Esse primeiro álbum foi alvo de uma reedição onde se acrescentou um segundo CD que além de versões de “Telephone Call From Istanbul” de Tom Waits e “Goldfinger” de John Barry ainda incluía remisturas a cargo do próprio grupo, dos Arkham Hi-Fi e de Alex FX. Foi também lançada a edição em vinil de "Fossanova" (edição limitada em vinil duplo, individualmente numerada de 001 a 500) com um grafismo completamente diferente do CD (com uma capa idealizada na mesma altura da original) e algumas diferenças no alinhamento (ex: inclui uma versão de "Goldfinger" cantada por Raquel Ralha). Um memorável concerto na recta final de 1999 que teve lugar na Aula Magna em Lisboa completou o ciclo de apresentações do seu primeiro disco. No início de 2000, JP Simões e companhia entraram em estúdio para gravar o álbum "La Toilette des Etoiles", registado nos Estúdios de Paço de Arcos da Valentim de Carvalho, com produção de Joe Gore, um músico e produtor que trabalhou com nomes como Tom Waits ou PJ Harvey. Além disso, Joe Gore coordena e produz os trabalhos da Oranj Symphonette, um grupo que lançou há um par de anos um disco com versões de temas de cinema. Foi aliás esse disco e o seu som o motivo principal para que os Belle Chase Hotel lhe tivessem dirigido o convite para se deslocar até Portugal. O segundo disco apresentava algumas mudanças em relação ao disco de estreia. Além do francês, presente no tema título, e do português de "São Paulo 451", o grupo voltou a investir no inglês e numa série de instrumentais, como o fabuloso "Evil Rock” onde se evoca o espírito de "Pulp Fiction" e onde JP Simões “toca” um saxofone recém-comprado. Depois, canções como "Merry Go-Wrong", "The Perfume of the Stars", "Nimarói" ou "Not Searching for the Real Thing" exploram um imaginário onde a Broadway, o cabaret, o songwriting clássico e um sentido lírico muito próprio se cruzam em interessantes e imaginativos jogos.” É assim que se descreve, na Wikipédia, os primeiros anos dos Belle Chase Hotel. Aqui recorda-se parte da entrevista concedida, em 2000, por JP Simões a Aníbal Cabrita no Programa Zona Reservada da TSF quando o álbum “La Toilette des étoiles” foi editado.

OUVIR


quinta-feira, janeiro 04, 2007

Rádio Perfeita ! ? ? !

José Pedro Gomes



 


• CROMOS TSF

A rádio perfeita?!
Imagine uma rádio feita à medida dos seus gostos musicais... seria espectacular ou um pesadelo. Afinal quem é que decide aquilo que você gosta de ouvir?!

( 08:48 28 de Abril 04 )

Autor: José Pedro Gomes
Voz : José Pedro Gomes
Sonorização : Herlander Rui


Pode ouvir aqui


ou aqui

sábado, novembro 25, 2006

radiozero

Alguns programas de Rádio antigos dos anos 70, 80 e 90.

E ainda ... outros fragmentos audio.









quinta-feira, abril 13, 2006

Processos censurantes

O que se passa com a divulgação de música na rádio, no fundo, é apenas um sinal.
Podemos entender a playlist como uma forma de censura que obriga a dizer.
Ao mesmo tempo que exclui um oceano de músicos obriga a passar ("dizer") algumas dezenas de "eleitos".
Talvez este fragmento de análise de Adriano Rodrigues seja uma boa pista para entender melhor o actual "estado da arte":

"Os processos censurantes dos regimes democráticos são muito mais variados e os seus recursos são praticamente ilimitados, graças à natureza abstracta dos seus mecanismos.

A escrita jornalística é um dos processos mais importantes da censurância, isto é, do mecanismo abstracto da censura. A sua forma estereotipada, feita de chavões pré-fabricados, de frases feitas, de minutas destinadas a servir os mais diversos usos, são alguns dos processos através dos quais se reproduzem os lugares comuns, a ideologia massificadora, a construção de uma leitura maioritária, de uma escrita conforme dos acontecimentos, da experiência, da história, proibindo outras leituras e outras escritas, que outros possíveis se exprimam e se construam. João Mendes discute no seu ensaio esta questão. Ressalta da sua reflexão que a censura não é hoje tanto a proibição de dizer o que não convém ao poder mas a obrigação de dizer e de fazer sem descanso, intermitentemente, o que é conforme ao senso comum, o que é banal e responde de perto às expectativas sociais. Ela está portanto intimamente ligada ao mito da objectividade jornalística, escrita sem sujeito, ponto cego de todas as subjectivações e conformidades. É de facto objectivo hoje tudo o que cola o mais estreitamente possível às expectativas indiscutíveis das maiorias, tudo o que as conforta nas suas crenças ingénuas.

Outro processo de censura nas sociedades democráticas consiste no mecanismo da sedução e não tanto no processo da repressão. Programando o que alicia, o que diverte, o que distrai, canalizam-se oportunamente as pulsões sempre carregadas de cargas explosivas imprevisíveis, desmobilizando-as com a cumplicidade de todos e de cada um. Há de facto uma dimensão censurante inerente à própria programação das telenovelas e dos jogos televisivos nas horas deixadas livres pelo trabalho, em que mais inquietante para o poder se apresenta a disponibilidade da maioria.

Um processo particularmente importante de censura hoje é o processo de redução de tudo e de todos às médias estatísticas das sondagens, destruindo ou pelo menos desviando o olhar de tudo o que não se configura nos espaços da maioria, eliminando como não pertinente ou pelo menos como ininteressante tudo o que não for susceptível de tratamento estatístico. Utilizando a cumplicidade das ciências humanas, este processo adquiriu foros de cientificidade e apresenta-se com naturalizado e indiscutível. Um certo saber técnico e de formação profissional serve de maneira acrítica este arsenal censurante. Basta ver como os políticos estão empenhados em desviar para estes fins os recursos disponíveis, em detrimento dos projectos de formação crítica e de investigação fundamental. Não se atrevendo a dizê-lo e invocando as mais nobres e generosas intenções, o que está ainda em jogo é de facto uma autêntica e mal disfarçada estratégia censurante."

Reflexão alargada de Adriano Duarte Rodrigues aqui.

terça-feira, abril 11, 2006

Música e capital mediático

Ainda a propósito de música e , neste caso ,da sua produção e divulgação,
aqui ficam algumas reflexões do brasileiro Marco Schneider
na tese de mestrado intitulada --”Música e capital midiático--
introdução a uma crítica da economia política do gosto”-- defendida
em 2003 na Universidade Federal do Rio de Janeiro.


"Se aumentou o acesso relativo do produtor simbólico aos estúdios
(o que não elimina, por isso, a necessidade de um investimento
relativamente alto para um cidadão brasileiro comum) e
mesmo às fábricas de prensagem (em menor escala, pois tiragens
gigantescas não dispensam uma aplicação considerável de capital),
o seu acesso aos sistemas de emissão massivos permanece
subordinado às exigências do grande capital (sem falar no jabá),
o que, no geral, inviabiliza economicamente a reprodução social
das produções independentes do produtor direto que se pretendam
mais autônomas. Assim, o produtor independente continua tendo
que lidar com a indústria cultural, seja diretamente com o centro
(as mega-empresas), seja com a periferia (as pequenas e médias
gravadoras e os selos, que representam parte da pulverização do
capital e dos meios de produção, não sua distribuição entre os produtores
simbólicos). Mesmo que pequenas gravadoras tendam a
alienar menos valor simbólico que as grandes, assegurando maior
autonomia relativa ao campo de produção simbólica, por estarem
menos diretamente determinadas pelos imperativos econômicos
reinantes, já que não possuem capacidade de reproduzir e pôr
em circulação o produto simbólico em larga escala, o que permite
até certo ponto a influência de fatores extra-econômicos (o
gosto musical do dono ou dos donos da gravadora, por exemplo),
e isso não deixe de representar um espaço social concreto para
uma nova fase de acumulação de valor simbólico e de elaboração
de táticas de defesa, é importante ter-se em conta que no estágio
atual de desenvolvimento da indústria cultural, após um século de
acumulação de capital midiático, após ter ocupado quase todos os
espaços sociais de produção, reprodução, circulação e consumo
de bens simbólicos, a existência da produção independente, do
ponto de vista do capital e do capital midiático, representa somente
contenção de despesas e formação de um exército de reserva
simbólica. Se isso pode eventualmente representar, para
alguns produtores individuais, um tempo de sobrevivência na periferia
(em geral elitista) da esfera da reprodução, da circulação e
do consumo simbólico, ou mesmo a ambicionada absorção pela
grande indústria cultural turbinada, que lhes aliena valor simbólico
(alienando-lhes autonomia) mas lhes paga bem por isso, no
geral, para o conjunto dos produtores simbólicos, o fosso entre
sua produção e a reprodução, circulação e o consumo social desta
produção, ao contrário, só aumentou e tende a continuar aumentando;
na melhor das hipóteses, pouco mudou. Pode ter mudado a
configuração da divisão de trabalho, mas não a sua alienação pelo
capital.
Produção musical independente, do ponto de vista econômico,
é, assim, na prática, apenas a transferência da responsabilidade
de investir capital constante (adquirir – compra ou aluguel – os
meios de produção: estúdios e equipamentos) e variável (recursos
humanos) do capitalista para o produtor simbólico; por imperativos
econômicos relacionados a ciclos imprevistos de expansão ou
retração do mercado, o capitalista paga o trabalhador particular,
que produz em escala “doméstica”, por peças produzidas, sem
fornecer-lhe os meios de produção. Excetuando-se as hipóteses
de o Estado ou de empresas privadas não ligadas ao ramo, via leis
de incentivo, festivais e prêmios, ou de um empresário associado
ao produtor simbólico fazerem o papel de capitalista (o que poderíamos
chamar de pré-produção), na produção de um cd, por
exemplo, se o produtor simbólico puder arcar com os custos fixos
(hardwares, softwares ou estúdio para ensaio, gravação, mixagem
e masterização) e variáveis (músicos, técnicos de som etc.) iniciais,
resta ainda o projeto gráfico, a impressão e a prensagem; se
puder arcar com estes custos, resta a divulgação, a distribuição e
a venda do cd; depois, a produção e a promoção de shows. Nesse
ponto, se ainda não tiver falido, é possível que torne-se medianamente
conhecido a ponto de ser requisitado por algum segmento
relevante da indústria cultural (gravadora, programas de televisão,
emissoras de rádio; até então, salvo rádios comunitárias ou piratas
e alguns programas de tv de menor audiência, a única coisa
grátis, e que em geral depende de uma boa rede de relações, é
uma discreta divulgação via mídia impressa). Então, quem sabe,
é possível que uma gravadora se associe, como sócio majoritário,
ao produtor simbólico, sem ter feito nada e sem ter desembolsado
um centavo até então. Caso não receba esta graça, o produtor
simbólico independente, para sobreviver como tal, ainda que às
margens do mercado, terá que concorrer com as mega transnacionais
do entretenimento. Em suma, só lhe restam três caminhos,
além do extermínio social ou mesmo físico: mudar de atividade,
sobreviver à margem ou ser absorvido pela indústria cultural. Em
todos os casos, deve-se investigar não só o grau de autonomia e
força de trabalho alienada (ou jogadas no lixo), mas também de
dinheiro alienado na absorção (ou jogado no lixo).
Necessitando de ganhos de escala cada vez maiores para prosseguir
em sua expansão, o capital investido na indústria cultural
desdobra-se de capital midiático primitivo (de alto valor simbólico)
em capital midiático liberal (de alto valor simbólico), deste
em capital midiático monopolista (de valor simbólico médio) e,
por fim, em capital midiático fictício (de baixo valor simbólico),
resultado de um processo secular de alienação e recalcamento dos
meios e modos de produção simbólicos. Em suma, em sua trajetória,
o capital midiático foi passo a passo caminhando para a
tautologia, diante da qual a operação “toca-se o que povo gosta
de ouvir” inverte-se em “o povo gosta de ouvir o que se toca”.
Para isso as pessoas foram por assim dizer treinadas durante um
século, no qual muito dinheiro foi investido e faturado. E o que
toca não deixa de ser, em linhas gerais, sempre o mesmo, mas
não o mesmo que o “povo” produz segundo uma tradição ou modos
pré-industriais, nem segundo desenvolvimentos formais pos
síveis, mas o mesmo seguindo a indústria cultural. A isso denominamos
tautologia do capital midiático fictício, sem lastro em
práticas e experiências extra-midiáticas, gerador do gosto social
midiático fetichista.

“numa época em que os outros media triunfam,
dotados de uma velocidade espantosa e de um raio de
ação extremamente extenso, arriscando reduzir toda
comunicação a uma crosta uniforme e homogênea, a
função da literatura é a comunicação entre o que é
diverso pelo fato de ser diverso, não embotando mas
antes exaltando a diferença, segundo a vocação própria
da linguagem escrita.” (Calvino, 1994, p. 58)

Quando Calvino fala em literatura e na “vocação própria da
linguagem escrita”, creio que se poderia estender o raciocínio a
todas as formas de produção simbólica sobreviventes (ou resistentes)
baseadas em modos de produção anteriores ao estágio turbinado
da indústria cultural, como parte da literatura, da música,
da produção acadêmica etc. (digo parte, pois, por exemplo, livros
de auto-ajuda, jingles e determinada produção acadêmica estão
completamente subordinados a ela), que conservam maior grau
de autonomia relativa, ainda que nas periferias ou nos subterrâneos
de sua esfera de ação. Tentamos demonstrar que o que caracteriza
esse estágio turbinado da indústria cultural é o momento
histórico atual, passagem do estágio monopolista do capital midiático
para o de autoreprodução de capital midiático fictício –
correspondendo com certo atraso ao estágio de domínio global do
capital financeiro, ou fictício.
Esta passagem deve-se ao fato de que a indústria cultural tornou-
se, ou está se tornando, cada vez mais tautológica, conduzindo,
com o tempo, com o esquecimento, com o esgotamento e
a destruição de todos os outros modos de produção simbólica, ao
risco apontado por Calvino de “reduzir toda comunicação a uma
crosta uniforme e homogênea”, ou seja, à autoreprodução do capital
midiático fictício. E a produção musical do século XX, seja
samba, choro, jazz, rock, tango ou música dodecafônica, começa
a ganhar o duvidoso status de folclore.
É, portanto, somente da periferia do sistema, ou nos subterrâneos
– menos diretamente subordinados ao automatismo da economia,
portanto menos autômatos –, onde subsistem, quero crer,
esforços de produção e acumulação de valor simbólico relativamente
autônomos, sejam ligados a tradições transformadoras ou a
tradições de raiz, que se pode esperar ações de contra-ataque, no
momento em que o underground tornar-se maduro para transformar-
se em avant-garde e partir para a luta pela democratização radical
dos meios de produção, circulação, distribuição e consumo,
apropriados pela indústria cultural turbinada, se é que isso um
dia será possível."

Para aceder a esta tese basta um clique.

quinta-feira, março 30, 2006

o autor a música e a rádio


Como trabalham os nossos ouvidos?
Qual é o papel duma playlist numa rádio?
Quem escolhe a "música"?

Três ou quatro "programadores" (um por cada rádio) "seleccionam" o que as rádios de maior audiência deixam ouvir.

Curioso, bastante curioso: mais de oitenta por cento do som é coincidente. Em nome da eficácia restringe-se, de forma significativa, o leque do que é "permitido" escutar.
Alguém ganhará com esta escolha?
Quem?

Há muitos anos , até 1974, havia a censura oficial patrocinada pelo Estado.
Quem patrocina actualmente a ocultação ?
A resposta não é linear. Muitos interesses se cruzam numa lógica que tende para a uniformização das mensagens.
Nesta aldeia global, há poderes que se apropriam do sentido ético e estético.
Hoje, nos grandes meios de comunicação ,desaparece o autor do ready-made e a ocultação da música é muito superior à de outrora.
Mas a música é apenas um dos grãos retidos pelo filtro...

Música na rádio o mesmo que publicidade?

É evidente que a “playlist” é apenas um sinal. Um indício
de controlo, centralização e, simultaneamente, da falta de confiança das direcções das rádios, na capacidade dos animadores ,que têm ao seu serviço, para cumprirem com eficácia a estratégia da estação.

A prática da maioria das rádios, no que se refere à música, tende para a uniformização e para a exclusão da diversidade e consequentemente para a repetição e saturação.

Numa sociedade que se afirma democrática, pluralista e aberta exclui-se o plural e a diferença.
Numa sociedade em que o discurso da inovação é incentivado, a prática aponta no sentido oposto.

O argumento utilizado é o de que a maioria das pessoas prefere aquele tipo de música e não outro. Argumento que, dizem, se baseia em estudos de mercado.
Mas como pode um cidadão dizer que gosta de um músico que nunca ouviu e que as rádios nunca divulgaram?
Como pode alguém pronunciar-se sobre o que não conhece?

Hoje o espaço para a música, nas grandes rádios ,é ocupado quase sempre pelos mesmos artistas, fechando portas a novos valores ou, até mesmo, a antigos que se afastem do “mainstream”.
Só depois de atingir um considerável volume de vendas , um artista, tem direito a exposição radiofónica.
Se, por hipótese, a mesma filosofia for aplicada aos noticiários então, passaremos a ouvir apenas uma notícia depois dela ter surgido num considerável número de outros órgãos de comunicação. Ou seja, só depois de insistentemente repetida algures, é que aparece no noticiário de uma rádio. É evidente que isto é um absurdo.

Se para as notícias o critério passa pela novidade e pela complementaridade - neste caso informativa -, o que levará os estrategos radiofónicos a adoptarem uma filosofia inversa em relação à música?

Provavelmente, no caso da rádio, a música é vista como uma entidade de características bastante diferentes das notícias e muito próxima da publicidade.
Tal como nos anúncios,a música tem uma frequência de repetição muito alta - uma faixa musical pode passar durante meses sucessivos -, enquanto nas notícias a frequência é relativamente baixa.

Nesta máquina de repetição que é a rádio , música e publicidade aproximam-se cada vez mais.
Para ter publicidade “no ar” o cliente paga. Será que para ter música “no ar” a editora paga?
Penso que não, apesar de serem conhecidos alguns “escândalos” deste tipo nos Estados Unidos da América.
No entanto, não ficaria espantado se tal acontecesse no futuro ,tendo em conta a actual tendência de tratar a inserção da música, numa grelha radiofónica, com regras semelhantes às da publicidade.

E esta é uma das chaves da questão: a filosofia de passagem de música numa rádio está mais próxima da das notícias ou da da publicidade?

Se a lógica for a das notícias , dos comentários, existe lugar para o novo, para a diferença, para a surpresa, para a descoberta;
Se, pelo contrário, for a da publicidade, o leque de escolhas será reduzido e a insistente repetição a regra dominante.
Se esta última hipótese se consolidar, cada vez mais o dinheiro assumirá um papel determinante em prejuízo da estética. Cada vez mais a música será apenas um produto de consumo e menos um bem com algum valor cultural. E , se ainda , se lhe reconhecer alguma mais-valia cultural,ela estará subordinada ao valor de mercado. Cada vez mais a liberdade de expressão nos grandes meios de comunicação, neste caso a da música, se limitará a quem tem poder económico.